Indicação de Boa Leitura!!
Texto: Trabalho e Educação: Fundamentos Ontológicos e Históricos.
Dermeval Saviani/ Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Educação.
Ancorados no entendimento de que trabalho é uma atividade social central para garantir a sobrevivência de homens e mulheres, e para a organização e funcionamento das sociedades, avaliaremos a trajetória do trabalho ao longo do tempo, assim como, a metamorfose que o trabalho vem sofrendo desde o período pré industrial ( no qual a produção era para subsistência, onde o trabalhador tinha autonomia e independência, controlando o processo de trabalho), até o surgimento do capitalismo ( no qual a produção passa a ser para os mercados em forma de troca de produtos e o trabalhador torna-se assalariado e dependente).
Num primeiro momento, o artigo caracteriza, em suas linhas básicas, os fundamentos histórico-ontológicos da relação trabalho-educação que, nas suas origens, se manifestava na forma de plena identidade. Mostra, em seguida, como, não obstante a indissolubilidade da referida relação, se manifestou na história o fenômeno da separação entre trabalho e educação. No terceiro momento aborda o tortuoso e difícil processo de questionamento da separação e restabelecimento dos vínculos entre trabalho e educação que vem marcando a sociedade moderna. Finalmente, esboça a conformação do sistema de ensino sob a égide do trabalho como princípio educativo, concluindo com a discussão do controvertido tema da educação politécnica.
De acordo com o texto a importância do trabalho para os homens e coloca o ponto de vista de filósofos famosos como Aristóteles que acreditava que a diferença do homem e dos outros animais seria a racionalidade, mas considerava o trabalho como não digno dos homens livres.
Filósofos como Bergson acreditava que o Homem se destaca da natureza para existir e produzir sua própria vida, diferente dos animais que se adaptavam a natureza, no nosso caso nós adaptamos a natureza a nós. O trabalho é o ato de agir sobre a natureza transformando-a em função das necessidades humanas.
A Revolução industrial correspondeu a uma revolução educacional. Segundo as reflexões de Gramsci a escola unitária criada na época é semelhante à Educação Básica nos níveis Fundamentais e Médios dos nossos dias atuais, diferenciando das escolas profissionais para trabalhadores e ciências e humanidades para os futuros Dirigentes.
Houve uma proposta de se travar diálogos entre universitários com a classe proletária para se discutir os problemas sociais de forma superior e sendo assim evitando a passividade intelectual dos trabalhadores e impedindo que os acadêmicos caíssem no academicismo.
Finalizando o texto foi travada uma discussão por parte do autor sobre politecnia, que é a união da escola com o trabalho. Manacorda segundo o autor propôs o termo politecnicismo como estar disponível para diversos trabalhos e suas variações e a palavra tecnologia era usada para determinar a união da teoria com a prática. As escolas que usavam esta filosofia foram criadas pela burguesia fruto da revolução industrial.
Na conclusão do texto o autor discute muito sobre o termo politecnia usado por Marx e Lenin, sendo hoje, muito mais que união de escola e trabalho, é o uso da ciência usando novas técnicas visando sanar o problema dos trabalhadores modernos que não são preparados para diversas funções no trabalho.

Um dos melhores textos do programa. Traz toda a trajetória do trabalho de forma clara, conforme vocês expôs. E ainda nos faz lembrar do nosso papel enquanto acadêmico, nos encorajando a sair do "Cemitério da cultura".
ResponderExcluirEste texto de Saviani apresenta com clareza a relação trabalho-educação e nos instiga a pensar como podemos viabilizar, na prática, que a escola de nível médio recupere a relação entre o conhecimento e prática do trabalho. Também provoca uma reflexão sobre o qual é o papel atual do ensino médio Brasil.
ResponderExcluirOutro aspecto bastante relevante também é a necessidade da existência de organizações culturais que possibilitem aos trabalhadores participar, em igualdade de condições com os estudantes universitários, de discussões dos problemas que dizem respeito a todos nós cidadãos. Poderíamos considerar que, diferentemente das Universidades, os Institutos Federais proporcionam esse espaço para que haja maior aproximação entre os trabalhadores e os estudantes de nível superior?
Nos dias atuais, devemos ressaltar cada vez mais estas discussões. Este excelente artigo foi muito bem comentado e indicado!
ResponderExcluir